Dos dias 15 de janeiro a 1º de fevereiro ocorreu a Cruzada de María, evento que acontece a cada 3 anos. É uma peregrinação que começou em 2012, em que jovens da Juventude Masculina de Schoenstatt peregrinam do Santuário de Mendoza – Argentina para o Santuário de Bellavista – Chile.
As peregrinações têm o intuito de seguir uma jornada de conversão, penitência e renovação de nossa fé. Diferente dos andarilhos, o nosso ser peregrino sabe aonde quer chegar; sabemos o porquê e por quem caminhamos, e temos a graça de caminhar junto com Jesus peregrino ao nosso lado, seja aparecendo em nossas conversas, nas risadas, nas montanhas, nas dores, lágrimas ou alegrias. É um caminho de encontro com Aquele que mais amamos e por quem amamos.
Nessa loucura de amor de peregrinar por 440 quilômetros, estiveram os corações de 132 peregrinos — corações inflamados por algo maior, que carregavam sonhos, esperança e dores, e que ali tudo era compartilhado com nossos amigos. Ninguém andava ou carregava algo sozinho; ali estava nosso Cristo amigo.
E assim, um dos Cruzados, ouvindo a voz de Deus em cada um dos seus passos, compartilhou conosco:
“Hoje reconheço a graça que foi a Cruzada de María: estar com amigos do coração durante o caminho e, principalmente, descobrir a força que Jesus e a MTA nos dão mesmo quando não conseguimos continuar.”
Raphael de Mari – Jumas Jaraguá
É exatamente como brotou no coração de Raphael que aconteceu na Cruzada: nós, por nós mesmos, não conseguiríamos completá-la. Não foi uma questão de quem era mais atleta ou de quem tinha a melhor aptidão física — era uma questão de fé.
“Mateus 17,20: a fé como um grão de mostarda, capaz de realizar o impossível.” Queríamos ser esse grão de mostarda: que, em nossos passos com os pés cheios de bolhas e com pensamentos muitas vezes de incapacidade, surgisse a fé a ponto de passar por tudo isso — não por orgulho ou louvores, mas apenas para exaltar Aquele que carregávamos no peito.
Nossa rotina era cansativa. Acordávamos às 4h20 da madrugada todos os dias (com algumas exceções em que acordamos ainda mais cedo) e começávamos a peregrinar às 5h, depois de tomar um café para sustentar a caminhada. O Exército Argentino e Chileno nos acompanhava com caminhões para levar nossas malas e chegava antes ao local onde passaríamos o dia para preparar nosso almoço. Nossos dias variavam entre 20 e 40 quilômetros, dormindo em barracas em lugares abertos, em casas disponibilizadas ou, em alguns momentos, em quartéis do Exército Argentino e Chileno. Todos os dias tínhamos nossa Santa Missa e nossa oração da noite com adoração a Jesus para receber forças para o dia seguinte.
Em uma das missas, o Padre Lucas Chiappe — assessor da JM Paraguai — falou em sua homilia, após uma reflexão sobre as trocas de camisetas do movimento entre os Jumas, a tradicional fala de “Cambiar”. Ele dizia que, em um primeiro momento, achava que Jesus seria um péssimo “trocador”. Como pode eu entregar pecados e Ele retribuir tudo com amor, compaixão e graças? Mas, ao final, entendemos que o limite do amor é amar sem medidas, como um pai que se preocupa com seus filhos. Em troca desse amor, Jesus espera um sim com saudade, um sim com a alegria em recebê-Lo.
No meio do caminho, em nossas conversas e risadas, alguns brasileiros tiveram dúvidas sobre a misericórdia de Deus e sua imensidão, questionando sobre nossos pecados mortais e aonde isso nos levaria — se o inferno aguardava as pessoas que pecassem dessa maneira. E o Padre Richard, diocesano de Schoenstatt, nos deu um presente ao falar sobre o tema. Quando o questionamos se, ao pecarmos naquele momento e morrermos sem nos confessar, Deus nos colocaria no inferno, ele respondeu:
“Se vocês acreditam nisso, o Deus de vocês é do tamanho dessa pedra.”
Isso nos fez refletir sobre a imensidão da misericórdia de Deus e o quanto Seu amor é gigante por nós. Os 440 km podem ser até pouco diante do quanto Ele nos ama. Ficamos ainda mais motivados a nos entregar nessa Cruzada.
A Cruzada de María não é somente mais um evento de Schoenstatt ao qual vamos, tiramos fotos, turistamos nos países que nos recebem e voltamos com lembrancinhas para nossos amigos. A Cruzada é um sonho que Maria, junto com seu Filho Jesus, coloca nos corações dos Jumas: o sonho de conversão, de levar as intenções das pessoas que nos pedem, de sentir o amor de Deus em cada passo que damos, de vê-Lo nas paisagens e nos amigos que fazemos. Na Cruzada, temos a certeza de que Schoenstatt é lar e que o sonho de nosso Fundador era, sim, o sonho que saiu do coração de Jesus — porque em todos os lugares onde há Schoenstatt, há abrigo.
Peregrinos de la alianza, levanta el corazón!
Cruzada de María en marcha!
Matheus Silva de Lima – Jumas Jaraguá




